TALAKA: Conferindo a DEMO — Jogo brasileiro! Lute com o poder dos Orixás
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Talaka é um jogo brasileiro de ação roguelite desenvolvido
pelo estúdio Potato Kid e publicado pela Acclaim. A proposta já chama atenção
pelo conceito, mas o que realmente me pegou foi a maneira como o jogo mergulha
de cabeça no folclore e na cultura brasileira. Aqui não temos apenas um jogo
genérico de fantasia que colocou meia dúzia de referências brasileiras para
dizer que é "nacional". Talaka constrói sua identidade justamente em
cima dessas referências, com paisagens pintadas à mão que passam pelo Sertão,
Pantanal, São Paulo e até pelo misterioso Orum Sombrio.
E logo no começo da DEMO já acontece algo que me ganhou
completamente: você conversa com Exu! Durante o tutorial, ele apresenta parte
da mitologia do jogo e, ao final da fase, oferece a passagem entre o Aiê, o
mundo material, e o Orum, o mundo espiritual, o plano dos ancestrais e dos
Orixás. É uma maneira muito interessante de trabalhar a herança africana
presente na cultura brasileira dentro de uma aventura de fantasia. E o melhor:
você não está apenas visitando esse universo, está lutando ao lado dos Orixás.
Talaka mistura combate rápido ao estilo de Dead Cells com a
estrutura de progressão e narrativa de Hades. A cada tentativa você enfrenta
inimigos, coleta recursos, desbloqueia melhorias e tenta chegar mais longe.
Quando morre, volta mais forte e começa uma nova jornada, com desafios e
combinações diferentes. São mais de 150 combinações de armas e habilidades,
além das bênçãos oferecidas por entidades como Iemanjá, Ogum, Obá e Exu, que
ajudam a moldar sua build durante a aventura.
O combate é exatamente aquilo que se espera de um bom
roguelite de ação: rápido, responsivo e exigindo que você saiba quando atacar,
esquivar e aparar. Mecanicamente, me lembrou bastante Prince of Persia: The
Lost Crown e até God of War Sons of Sparta, que foi outro jogo recente que me
conquistou nesse estilo. Mas aqui temos aquela camada adicional característica
de Hades: cada tentativa muda e você vai construindo seu personagem aos poucos,
aprendendo com cada morte.
E não é um jogo particularmente fácil. Existe uma mecânica
em que Exu analisa sua maneira de jogar e sugere uma dificuldade adequada para
você, mas é possível alterar isso depois. Para quem realmente estiver sofrendo,
também existem recursos de acessibilidade que facilitam bastante a experiência,
incluindo opções como saúde infinita e possibilidade de eliminar inimigos com
um golpe. Particularmente, acho interessante existir essa liberdade, porque
roguelites podem ser extremamente punitivos para quem não tem familiaridade com
o gênero.
Uma mecânica que achei particularmente interessante é o Kill
Streak. Conforme você derrota inimigos sem se curar, seu dano aumenta. Só que
existe um preço: quando você decide recuperar sua vida, a sequência é zerada.
Então o jogo fica o tempo inteiro te colocando diante daquela escolha clássica:
arrisco continuar com pouco HP para ficar cada vez mais poderoso ou jogo pelo
seguro e me curo?
E se você gosta de explorar, Talaka também recompensa a
curiosidade. Existem salas secretas, áreas escondidas, itens raros e histórias
que podem ser descobertas fora do caminho principal. O próprio bestiário merece
atenção, porque cada criatura encontrada possui sua própria história e origem.
E aqui aparece uma das melhores coisas do jogo: os inimigos não são
simplesmente monstros genéricos. Eles vêm do folclore, da fauna e da flora
brasileira.
Mapinguari, Velho do Saco, Labatut e, claro, a Loira do
Banheiro estão esperando você pelo caminho. E eu tenho que confessar: sempre
quis ver a Loira do Banheiro em um jogo. É uma daquelas figuras que fizeram
parte do imaginário de muita gente durante a infância, misturando medo e
curiosidade. Ver isso transformado em uma criatura que você realmente enfrenta
em um videogame é simplesmente sensacional.
E tem uma escolha artística muito interessante: os inimigos
não derramam sangue. Eles explodem em tinta. Conforme você vai destruindo as
criaturas, a tela vai ficando cada vez mais parecida com uma pintura. Isso
combina perfeitamente com a direção artística do jogo, que parece querer
transformar cada cenário em uma obra de arte.
Os primeiros momentos da DEMO funcionam praticamente como um
grande tutorial, apresentando gradualmente as principais mecânicas, alguns
upgrades e o sistema de combate. A experiência culmina com a oferta de Exu
antes do chefe da primeira fase, que, inclusive, é baseado em uma figura
histórica brasileira. Tem mais coisa acontecendo depois disso, mas aí já começo
a entrar em território de spoiler, então vou parar por aqui.
Graficamente, Talaka também me impressionou. Os cenários
pintados à mão são lindíssimos e possuem uma identidade visual muito própria.
Não parece simplesmente mais um roguelite tentando reproduzir a estética de
Hades ou Dead Cells. Ele usa essas referências na estrutura e no gameplay, mas
visualmente procura construir uma identidade brasileira. Sertão, Pantanal, São
Paulo e os ambientes sobrenaturais são representados de maneiras muito
diferentes, mas todos parecem pertencer ao mesmo universo.
E talvez seja justamente isso que tenha me conquistado
tanto. Eu normalmente não sou a pessoa que fica particularmente empolgada com
roguelites. É um gênero que reconheço ter excelentes jogos, mas raramente
consegue me prender por muito tempo. Talaka conseguiu fazer isso comigo
justamente porque existe alguma coisa além do gameplay.
É a ambientação. É a arte. É a música. É a história. É Exu
aparecendo logo no tutorial. É lutar ao lado dos Orixás. É encontrar
Mapinguari, Labatut e Velho do Saco. É finalmente poder dizer que estou
enfrentando a Loira do Banheiro em um videogame.
E, principalmente, é ver um jogo brasileiro utilizando
elementos genuinamente brasileiros para construir sua própria identidade, em
vez de simplesmente copiar uma fantasia medieval genérica. Talaka pega
referências que fazem parte da nossa cultura e transforma tudo isso em uma
aventura de ação que consegue ser bonita, divertida e extremamente original.
Sinceramente? Para mim, é uma obra de arte. Eu não esperava
me encantar tanto por um roguelite, mas essa DEMO me deixou bastante
interessado em acompanhar o projeto. Se você gosta do gênero, provavelmente já
vai encontrar aqui tudo aquilo que procura. Se, como eu, você não costuma se
apaixonar por roguelites, talvez Talaka seja justamente aquele jogo capaz de
fazer você mudar de ideia.
Recomendo demais. Principalmente porque finalmente temos um
jogo em que você pode salvar o mundo com os Orixás enquanto enfrenta a Loira do
Banheiro.
Agradecemos especialmente à distribuidora Acclaim pela chave de review recebida via plataforma Keymailer.co.
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Um jogo com representação,que incrivél!!
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